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Os fatos sobre o atentado: Como Adélio Bispo de Souza chegou até Jair Bolsonaro, em Minas

As investigações sobre o atentado contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), ocorrido no dia 6 de setembro, têm gerado uma profusão de notícias desencontradas, sobretudo nas redes sociais: se o acusado, réu confesso, Adélio Bispo de Souza, de 40 anos, agiu sozinho ou teria recebido ajuda de terceiros; o boato de um valor de R$ 350 mil supostamente encontrados na conta de Adélio; e os motivos que o levaram a cometer o crime, em Juiz de Fora, são os principais pontos das acaloradas discussões.

Sobre o dinheiro, o que a reportagem do JORNAL DO BRASIL apurou em minas Gerais é que, na busca e apreensão realizada no quarto que Adélio ocupava em uma casa transformada em pensão, no centro da cidade, a polícia encontrou um extrato bancário que, segundo informações passadas a Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, advogado de defesa, pelos próprios policiais, o saldo seria de aproximadamente R$ 3.500.

Além da grande diferença no valor, entre o declarado pela polícia à defesa e os boatos na internet, a data de depósito não bate. Entre 26 de janeiro e 11 de outubro de 2016, Adélio trabalhou na função de pedreiro em uma construção no Balneário de Camboriú (SC) para a FJA – Construtora, de propriedade de Waldir de Almeida, em uma incorporação da GAMM Empreendimentos Ltda.

Pelo serviço, recebia R$ 1.200,00 mensais, sem carteira assinada. Ao ser demitido, não teve direito às indenizações trabalhistas determinadas pela lei. Por isso, em janeiro de 2017, já de volta a Montes Claros (MG), sua cidade natal, ingressou com uma Reclamação Trabalhista (0010203-72.2017.5.03.0145) na 3ª Vara do Trabalho da cidade.

A sentença do juiz Sérgio Silveira Mourão reconheceu os direitos dele e, embora não tenha lhe concedido a indenização por dano moral solicitada, determinou o pagamento de horas extras excedentes à 8ª hora diária e 44ª semanal, com reflexo delas nas férias, 13º salário e indenização pela demissão; auxílio alimentação; saldo dos 11 dias trabalhados em outubro; aviso prévio indenizado; 13º salário e férias (com o terço constitucional) proporcionais aos nove meses trabalhados; 09/12 avos); e multas.

A incorporadora GAMM apresentou-se na audiência em setembro e fechou um acordo, indenizando-o em R$ 6 mil, depositados na conta dos advogados que o defenderam. Deste valor, deduzindo-se os honorários advocatícios, sobraram para Adélio, cerca de R$ 4.200.

Lobo solitário

A prisão em flagrante e a própria confissão do réu de que agiu por conta própria aparentemente deveriam encerrar o caso. Mas não é o que acontece. Alimentado principalmente pelos adeptos de Bolsonaro – mas não só por eles – surgem questionamentos e as chamadas teorias conspiratórias.

Um desses questionamentos veio do líder do PSL na Câmara Federal, deputado Fernando Francischini, delegado de Polícia Federal licenciado. Ele acompanhou os procedimentos policiais. Após a audiência de custódia, na sexta-feira, dia 7, na Justiça Federal, revelou:

“Nos chama atenção – e registro que é um direito de defesa ter advogados – mas alguém, com situação de pobreza como a gente viu, ter quatro advogados e não ter a defensoria pública acompanhando? Só aí eu deixo para vocês entenderem como há indícios de que não é um “lobo solitário”, sem estrutura financeira nenhuma”.

São motivos que o levam a defender a continuidade das investigações para verificar “se houve auxílio, apoio, se houve mandantes”. Dos boatos, também surgiu a possível participação de um segundo homem, que foi ouvido e liberado pelos investigadores. Ao que parece, a Polícia Federal, sem descartá-las, não leva fé nessas hipóteses.

A confissão do acusado – de ter atacado Bolsonaro por seus discursos raivosos contra negros, como ele – tem sido corroborada nas investigações. Tal como disse, chegou à cidade por volta de 20 de agosto em busca de emprego. Fez alguns bicos como garçom e pedreiro. Também distribuiu currículo e garante que, ao menos uma vez, foi entrevistado na busca por uma vaga no mercado. A tudo isso, leve-se em conta que a visita de Bolsonaro só foi anunciada três dias antes, ou seja, no dia 3 de setembro.

O maior questionamento diz respeito aos advogados Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa e Marcelo Manoel da Costa, de Barbacena (MG); Zanone Manuel de Oliveira Júnior, de Contagem (MG); e Fernando Costa Oliveira Magalhães, de Lagoa Santa (MG). Todos são criminalistas; Oliveira Júnior, inclusive, defendeu os acusados das mortes de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno, assim como da missionária Dorothy Stang.

Sobre a pessoa que os contratou para defender Adélio, que seria um morador de Montes Claros que conheceu o acusado na igreja Testemunha de Jeová, eles insistem desconhecer seus interesses. “Não sabemos ao certo o que o motivou, só sabemos que foi alguém interessado em ajudá-lo por tê-lo conhecido na igreja”, diz Oliveira Jr. O contrato foi apenas para a fase inicial, ou seja, o inquérito policial. Não o processo todo. A quantia paga, em dinheiro, para não haver identificação do contratante, é até considerada baixa pelos defensores, que não revelam o valor exato.

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