Campo Belo

Campo Belo é um município brasileiro do estado de Minas Gerais.

Inicialmente e após o surgimento do Povoado de Casa do Casca do Tamanduá,[7] as terras do hoje município de Campo Belo pertenciam a uma vila, que mais tarde passou a ser chamada de São Bento do Tamanduá, por último, Itapecerica na Comarca do Rio das Mortes (São João del-Rei), e eram ocupadas pelos índios Cataguases, da tribo Tupi, podendo esses silvícolas terem chegado à região fugindo da perseguição e da escravidão, por volta do ano 1600

 Posteriormente, já sem os índios Cataguases, dizimados pelos portugueses e paulistas, caçadores de ouro que integraram a bandeira de Lourenço Castanho Jacques, o Velho, por volta de 1726 estas terras dos Cataguases foram ocupadas por negros fugitivos que mais tarde se uniram aos que aqui chegaram sob a liderança de “Ambrósio Rei” na formação do Quilombo do Ambrósio, provavelmente na localidade chamada de Meia Laranja (hoje município de Cristais[8]) e que fora parcialmente exterminado em 1743 por milícia armada que cumpria ordens da Coroa Portuguesa. Nesse episódio teriam sido mortos muitos negros, inclusive crianças, mulheres e velhos, bem como teriam destruído as casas, gado e lavouras. Ambrósio teria fugido para as terras que hoje está o Triângulo Mineiro, onde teria sido morto em 1776. O Quilombo do Ambrósio, que em todas as terras chamadas de Campo Grande, teria contado com 15.552 negros e cerca de 2.592 casas, foi o maior, mais importante e duradouro quilombo de Minas Gerais.[9]Porém, assim como sobreviveram alguns Cataguases, também sobreviveram vários Negros e, de forma curiosa, passaram a conviver amistosamente, na a tentativa da sobrevivência. Os nomes das comunidades rurais de Campo Belo provavelmente têm origem nas Sesmarias[10] e, o povo fora formado a partir dos índios, dos negros angolanos das tribos Banto e Bunto e ainda de europeus. Os Italianos começaram na região, para o serviço nas lavouras, após o fim da escravidão negra em 1888 . Os Libaneses chegaram aqui a partir de 1890[11] e dedicaram-se especialmente às atividades comerciais.[12]

Acredita-se que o primeiro núcleo habitacional de Campo Belo teria surgido pelas mãos dos sobreviventes do Quilombo do Ambrósio e fora erguido onde está hoje o Bairro São Benedito, que o segundo núcleo , na hoje, Praça Nossa Senhora Aparecida, no chamado “Bairro do Cruzeiro”, dali, atingiu a baixada, local onde comercializam o gado que era habitualmente roubado na Picada de Goiás, (daí o nome de FEIRA) desde aquela época. O terceiro núcleo teria crescido junto à construção da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,[13] provavelmente a partir de 1774, pois, segundo documento assinado pelo Padre Vicente Lopes, que aqui viera para fazer batizados, em março de 1773, “não havia Ermida no lugar de Campo Belo”. Portanto, a Igreja Velha Matriz não fora construída em 1720, conforme a história oral. Catarina Maria de Jesus, conhecida como Catarina Parreira, recebeu a “Sesmaria das Águas Claras” (Águas Claras, Água Limpa e provavelmente deu origem ao nome de Aguanil), sediada na margem direita do Ribeirão do Bugre, hoje Comunidade dos Parreiras, conforme documento da Coroa Portuguesa, datado de 1784, tendo, a Senhora Catarina, por seu conhecimento e habilidade política, além da crença Cristã Católica, participado ativamente da vida do então Povoado do Ribeirão São João (primeiro nome de Campo Belo), especialmente da continuidade da construção da Igreja do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, trabalho para o qual, dona Catarina Parreira dispensou sua influência, seus escravos, tendo ainda, contratado Francisco Gorgônio de Meneses, discípulo do Mestre Aleijadinho,[14] para a montagem do Altar-Mor, afrescos e colocação do sino que viera da Europa.

Segundo a história oral, o nome de Campo Belo foi dado pelo Capitão-Mor Romão Fagundes do Amaral que havia recebido a Sesmaria do Campo Grande, hoje Município de Perdões, cujas terras se estendiam até onde está o Município de Cristais, e quando de sua passagem por aqui, em trabalho de inspeção de sua Sesmaria é que teria exclamado “QUE BELO CAMPO!” e, um de seus acompanhantes teria acrescentado, “Que Campo Belo!”. O Arraial do Ribeirão São João fora elevado à categoria de Distrito pelo Alvará Régio de 24 de setembro de 1818. A Lei Imperial n° 373 de 9 de outubro de 1848 elevou o Distrito à categoria de Vila, porém, a Lei n° 472 de 31 de maio de 1850 revogou a lei 373 e a Vila retornou à situação de Arraial. Vinte e seis anos depois, a Lei Provincial Nº 2.221 de 13 de junho de 1876, recompôs a categoria de Vila, aí já com o nome de Campo Belo, porém, a falta de entendimentos para a definição dos nomes que comporiam a Câmara, adiou em três anos o processo que somente, com a posse da 1.ª Câmara de Vereadores (Intendência) presidida pelo Agente Administrativo, Francisco Rodrigues Neves(Comendador), a Vila foi finalmente implantada, em 28 de setembro de 1879, sendo que passava a integrar à Freguesia do Senhor Bom Jesus de Campo Belo, o Distrito de Paz de São Sebastião do Porto dos Mendes, que fora criado pela Lei n° 1198 de 9 de agosto de 1864 que até então pertencia ao Município de Dores da Boa Esperança.

Em 7 de janeiro de 1881, a Lei n° 2661 integrava na Vila de Campo Belo, as freguesias de Cristais, Cana Verde, Candeias e Santana do Jacaré, quando o território do Município somou 2007 km². Apenas cinco anos depois de se tornar Vila e, graças a um eficiente trabalho do Padre Ulisses Furtado de Sousa (mais tarde, Cônego Ulisses), que ocupava o cargo de Deputado Provincial, auxiliado por um grupo de Campo–belenses, foi sancionada a Lei Provincial n° 3.196 de 23 de setembro de 1884, pelo Presidente da Província, Olegário Herculano d’Aquino e Castro, elevando a Vila à condição de cidade. Presidia a Câmara o Sr. Modesto Moreira Ribeiro, primeiro Agente Administrativo de Campo Belo.

Em 11 de janeiro de 1924 o Distrito de Cana Verde passou a pertencer ao Município de Perdões; em 17 de dezembro de 1938 Candeias se tornava independente de Campo Belo; em 1 de janeiro de 1949 Cristais, em 12 de dezembro de 1953, Santana do Jacaré, por último, em 1 de março de 1963 Aguanil, que fora Povoado e Distrito, com nome de Água Limpa, também se tornou independente de Campo Belo. A primeira comemoração em homenagem à Cidade se deu em 28 de setembro de 1935, esta data ficou definida como o “Dia da Cidade”, era Prefeito (primeiro) de Campo Belo, o Sr. Antônio de Bastos Garcia, como Chefe do Executivo, pois, ele já ocupara o cargo de Presidente da Câmara, isto é, de Agente Administrativo de 1927 a 1930. Não se observou a data da Lei que elevou a Vila do Senhor Bom Jesus de Campo Belo à condição de Cidade e sim a data da Vila o que na prática deixou a cidade cinco anos mais velha.

As sete primeiras Sesmarias efetivamente nas terras do hoje Município de Campo Belo, foram distribuídas entre os anos de 1770 e 1777. A primeira, Sesmaria do Ribeirão São, em favor de José Gomes de Aguiar e em seguida as sesmarias para Domingos Vásquez Garcia, Manoel Jorge, Tomás José de Araújo, Antonio Lemes Silva, Manoel Alves da Silva e Antonio Vilela Frasão, deste último, ainda se conserva o nome de “Frasão” numa comunidade rural e a forte indicação de que teria sido por sua influência a vinda de Catarina Parreira, em 1784. Antonio Vilela Frasão e Catarina Parreira (que recebera a 8ª sesmaria) eram da Aplicação de Santa Cruz do Salto, hoje Congonhas, havendo indícios de uma forte ligação entre eles, anterior à morte um tanto misteriosa de José Martins Parreira, marido de Catarina, provavelmente em 1779.

Portanto, as primeiras famílias de brancos a habitar Campo Belo, teriam sido: “Amaral, Jorge, Araújo, Silva, Alves, Vilela, Gomes, Garcia, Frasão, Domingos e Parreira”.

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